Tenho saudades de sermos o que nunca fomos. A nostalgia pelo que nunca aconteceu percorre-me as veias. Sinto-me cansado de esperar por ti. Será por saber que nunca virás? Ironia das ironias, estamos em extremos opostos (no verdadeiro sentido do termo). Percorremos a mesma estrada, mas em sentido inverso. Revolta-me saber que a tua geografia é diferente da minha e que te leva a um destino contrário do meu. Lanço quilómetros de suspiros por não saber aquilo que verdadeiramente pensas de mim.
Gostava de conseguir pronunciar as palavras certas; de expressar o sentimento que me abafa a voz e me cala a razão. O mundo fez o favor de nos separar antes de nos juntarmos. Quis Deus que as nossas vidas fossem guiadas por diferentes coordenadas. Antes de ser, nunca foi.
Não há um antídoto para neutralizar o efeito perverso desta ilusão que me alimenta a alma e que me corrói por dentro. O meu coração está em pedaços. Talvez por não saberes verdadeiramente aquilo que penso de ti...
quinta-feira, 12 de março de 2009
quarta-feira, 11 de março de 2009
Notas de prazer
Parecia um som estranho e distante, mas à medida que a sua intensidade aumentava, mais próximo ele se sentia. Os pensamentos, a respiração, o bater do coração e o suor que se formava nas mãos pareciam concertados de maneira a formar um conjunto harmonioso de reacções ritmadas com aquele estranho som exterior.
Sentia-se invadido e ao mesmo tempo um arrepio de prazer percorria-o. Tinha medo. Queria virar costas, mas era incapaz de largar aquela sensação que o embriagava e apoderava de qualquer controlo mental ou físico sobre si.
Tinha sido avisado. Podia acontecer. Mas não, achava ele. Não permitiria que nada interferisse e no entanto... no entanto, bastaram umas breves notas musicais. Ouviu-as e estavam longe. Sabia que nessa altura ainda poderia escapar, mas a curiosidade de ter mais perto o que tinham descrito e a certeza de que sairia vencedor foram argumentos interiores mais fortes.
Os ritmos prendiam-no e possuíam o seu corpo sem qualquer piedade. As suas formas reagiam à intensidade e desenhavam uma dança.
Procurava alcançar a sua consciência, mas resistir era cada vez mais difícil e estava prestes a render-se...
Sentia-se invadido e ao mesmo tempo um arrepio de prazer percorria-o. Tinha medo. Queria virar costas, mas era incapaz de largar aquela sensação que o embriagava e apoderava de qualquer controlo mental ou físico sobre si.
Tinha sido avisado. Podia acontecer. Mas não, achava ele. Não permitiria que nada interferisse e no entanto... no entanto, bastaram umas breves notas musicais. Ouviu-as e estavam longe. Sabia que nessa altura ainda poderia escapar, mas a curiosidade de ter mais perto o que tinham descrito e a certeza de que sairia vencedor foram argumentos interiores mais fortes.
Os ritmos prendiam-no e possuíam o seu corpo sem qualquer piedade. As suas formas reagiam à intensidade e desenhavam uma dança.
Procurava alcançar a sua consciência, mas resistir era cada vez mais difícil e estava prestes a render-se...
A alguém
Há palavras que, ditas em 5 segundos, ferem mais do que as agruras de uma vida inteira. Cada letra é como que uma lâmina afiada, capaz de nos suster a respiração e parar o coração. É impossível ficar insensível, pois a palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a ouve. Os vocábulos, mais do que meros sinais gráficos, carregam em si suor, lágrimas e sangue.
Há silêncios que valem bem mais do que mil palavras. E, por vezes, uma só palavra consegue dizer muito mais do que mil. Até a matemática precisa de letras. Sem elas, os números não se entendem entre si.
Há coisas que, quando ditas, são como as cebolas: despem-nos camada a camada e, às vezes, até nos fazem chorar. Há outras que, para serem entendidas, requerem maturidade; só os anos podem ensinar aquilo que os dias desconhecem. Sei que não sou perfeito. Mas, de resto, ninguém o é. Todos precisamos de ser constantemente retocados. Um homem faz-se em 60 ou 70 anos - e não em 9 meses.
Não quero lamentar-me cada vez que olhar para o passado. Isso é ser estéril. A fertilidade está em saber aprender com os erros; a fazer da experiência fracassada um degrau que se sobe na escada da vida. Foste tu que me ensinaste. Isso e outras verdades - como a de não confiar apenas na pata do coelho (pois ela não deu sorte nem sequer ao próprio coelho). Fizeste-me parar e acreditar que não há razão para ter medo das sombras: elas apenas indicam que, num lugar muito próximo, há uma luz a brilhar...
Há silêncios que valem bem mais do que mil palavras. E, por vezes, uma só palavra consegue dizer muito mais do que mil. Até a matemática precisa de letras. Sem elas, os números não se entendem entre si.
Há coisas que, quando ditas, são como as cebolas: despem-nos camada a camada e, às vezes, até nos fazem chorar. Há outras que, para serem entendidas, requerem maturidade; só os anos podem ensinar aquilo que os dias desconhecem. Sei que não sou perfeito. Mas, de resto, ninguém o é. Todos precisamos de ser constantemente retocados. Um homem faz-se em 60 ou 70 anos - e não em 9 meses.
Não quero lamentar-me cada vez que olhar para o passado. Isso é ser estéril. A fertilidade está em saber aprender com os erros; a fazer da experiência fracassada um degrau que se sobe na escada da vida. Foste tu que me ensinaste. Isso e outras verdades - como a de não confiar apenas na pata do coelho (pois ela não deu sorte nem sequer ao próprio coelho). Fizeste-me parar e acreditar que não há razão para ter medo das sombras: elas apenas indicam que, num lugar muito próximo, há uma luz a brilhar...
domingo, 8 de março de 2009
Pinturas da mente que se tornam reais
Por vezes vivo experiências que se traduzem por visualizar/ver na minha mente algo que depois, passado uns bons tempos, se materializam. Acontece com factos muito importantes na minha vida e com coisas tão ridículas como a mobília da minha casa.
Antes de comprar, ou melhor, antes de ver e encontrar a mobília na loja eu já sabia como ela era. Uma coisa é dizer que gostávamos assim e assado e depois encontrar o género. Outra coisa é saber exactamente como ela seria. Quando encontrei a minha casa, vi-me nela e vi a mobília na disposição que hoje tem e... mais tarde encontrei essa mobília.
Tive recentemente uma destas experiências mas a título pessoal. Um pequeno pormenor, uma pequena situação real que me levou para uma "pintura" que a minha mente me havia mostrado muito antes do agora ter acontecido. Se antes era uma projecção e depois se tornou real, agora é uma recordação, ou melhor, uma imagem real gravada na minha mente.
Antes de comprar, ou melhor, antes de ver e encontrar a mobília na loja eu já sabia como ela era. Uma coisa é dizer que gostávamos assim e assado e depois encontrar o género. Outra coisa é saber exactamente como ela seria. Quando encontrei a minha casa, vi-me nela e vi a mobília na disposição que hoje tem e... mais tarde encontrei essa mobília.
Tive recentemente uma destas experiências mas a título pessoal. Um pequeno pormenor, uma pequena situação real que me levou para uma "pintura" que a minha mente me havia mostrado muito antes do agora ter acontecido. Se antes era uma projecção e depois se tornou real, agora é uma recordação, ou melhor, uma imagem real gravada na minha mente.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Sobre o amor
O significado da palavra amor não vem no dicionário; é um instrumento demasiado redutor para o explicar. O amor é uma espécie de equação, onde prevalece essencialmente a multiplicação do perdão. O amor é como a tosse: é impossível ocultá-la; é cego e com asas (cego porque não vê osbtáculos e com asas para os transpor). O amor é como um fio de alta tensão na estrada, onde vêm pousar as andorinhas: há sempre uma que fica e que canta mais alto; o amor também tem a capacidade de fazer mudar as andorinhas. A religião apoderou-se do amor, transformando-o num pecado. O amor é uma infinidade de ilusões que funcionam como analgésico para a alma; o amor anda sempre acompanhado da razão e nunca ficam albergados no mesmo sítio: quando um chega, o outro parte. Se tivermos de optar entre o mundo e o amor, que se escolha o amor: ao escolhermos o mundo, ficaremos sem o amor e só com o amor conquistaremos o mundo.
As palavras mais bonitas de amor são ditas no silêncio de um olhar. O amor nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porquê. O amor, mesmo que não correspondido, é impedioso: é como chutar uma bola para o céu e ela, desafiando as leis da gravidade, desaparece; mas é impossível não ficar à espera que ela volte...
O amor é matemático e consiste na soma das incompreensões. O seu valor mede-se pela soma de sacrifícios que estamos dispostos a fazer por ele. O amor é como o vento: não se vê, mas sente-se. Pode, até, magoar mais do que uma queda de um edifício de 10 andares; é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo. O amor tem razões próprias que jamais a lógica compreende.
terça-feira, 3 de março de 2009
Elas e eles
O problema delas é quererem hoje o amarelo e, amanhã, já querem o verde. Agora dizem sim e, depois, dizem não. Pensam no 3 e desejam o 5. Afirmam que vão para a esquerda, mas seguem pela direita. Opinam sobre o que acham sem verdadeiramente dizerem aquilo que julgam.
É, de resto, esta constante divergência que nos aniquila. Porque nós, homens, somos fracos e não resistimos a embarcar na loucura de as conhecer. No fundo, não gostamos de facilitismos. O nosso maior pecado está em minarmos o nosso próprio género com este dom de ir em busca do que nos está distante; fora de mão; longe do alcance. Quanto mais temos, mais queremos. Elas optam pela contradição e nós adoramos a soma de valores.
O problema delas é saberem que nós achamos que, elas, têm o problema. Na verdade, nós, homens, somos os vencidos. Ambos pensamos em guerra, mas só elas conquistam a paz. Porque têm uma arma chamada sexto sentido. Para o mal e para o bem. Utilizam-no à mercê dos seus intentos. É como a história da carroça movida por um burro que persegue a cenoura pendurada por uma corda. A vida é isto: elas seguram a cenoura. E nós corremos atrás dela, na esperança de a apanhar...
É, de resto, esta constante divergência que nos aniquila. Porque nós, homens, somos fracos e não resistimos a embarcar na loucura de as conhecer. No fundo, não gostamos de facilitismos. O nosso maior pecado está em minarmos o nosso próprio género com este dom de ir em busca do que nos está distante; fora de mão; longe do alcance. Quanto mais temos, mais queremos. Elas optam pela contradição e nós adoramos a soma de valores.
O problema delas é saberem que nós achamos que, elas, têm o problema. Na verdade, nós, homens, somos os vencidos. Ambos pensamos em guerra, mas só elas conquistam a paz. Porque têm uma arma chamada sexto sentido. Para o mal e para o bem. Utilizam-no à mercê dos seus intentos. É como a história da carroça movida por um burro que persegue a cenoura pendurada por uma corda. A vida é isto: elas seguram a cenoura. E nós corremos atrás dela, na esperança de a apanhar...
Abraço ou a pseudocópula dos anuros
Recentemente, um amigo que muito estimo despediu-se de mim exclamando: - Um amplexo!
Pensei: Ele quer dizer, um abraço!
Trata-se penso eu, de uma atitude reveladora de grande carácter, esta de eu assumir perante a vasta comunidade de leitores deste blog que não fazia, até há pouco, a mínima ideia do significado da palavra : Amplexo.
Como é lógico, tal termo tinha já aflorado por diversas vezes, a macia pele dos meus lindos pavilhões auriculares. Haveria muito a dizer sobre estes mas, espante-se senhor leitor, sobre o tal do amplexo fui vêr e dizia assim: “Amplexo é uma forma de pseudocópula no qual um anuro macho se coloca no dorso de uma fêmea, agarrando-a com as suas patas, enquanto esta faz a postura dos ovos.” (wikipedia, dixit). E continua: “Em algumas espécies ocorre amplexo cefálico, onde a cabeça da fêmea é agarrada.” Parece-me assustador! Se por um lado, aparentemente, o amigo que tanto estimo resolveu pôr fim á sua opção hetero, enveredando por outros caminhos, quiçá ambivalentes ou até antrivalentes ou mais, por outro, sentir-me-ei ignóbil só pelo facto de ter posto em dúvida a sua escolha sexual. Por via das dúvidas, agradeço mas não estou interessado! Não por ele, mas por mim. Não é ele que não agrada, sou eu é que não gosto. De qualquer forma, sinto-me agradecido, embora de uma forma estranha. Ficará sem saber, caro leitor, qual dos dois faria a “postura dos ovos” que, até ver, é pratica comum neste tipo de gente.
Continuei a ler a explicação da amiga wikipédia, a qual, por diversas vezes se referiu aos anuros. – Espécie de ser humano do sexo masculino com tendência para a cópula com outros do mesmo sexo, pensei eu. Fui ver e... não era nada disto. Trata-se de um animal anfíbio que, por sinal, tem as suas opções sexuais perfeitamente definidas e que vem deitar por terra todo um conjunto de conjecturas estranhas que têm vindo a deambular na massa cinza-pálido a que chamo cérebro. É uma espécie de rã ou sapo. É viscoso. É um anfíbio, portanto.
Assim sendo voltei a procurar no Google a mesma palavra . Desta vez, foi um tal de Wikcionário que me disse que: “am.ple.xo masculino (plural: am.ple.xos)- abraço; acção de abraçar algo ou alguém; dar um abraço”. Fiquei descansado. Queria mesmo dizer abraço. Não devia ter duvidado. Claro, abraço. Como tinha previsto, era abraço. Xicoração, ou coisa parecida. A-BRA-ÇO! Pois! Abraço. Era isso. De futuro, não voltarei a duvidar das escolhas sexuais dos que conheço. Mesmo que estes insistam no contrário.
Pensei: Ele quer dizer, um abraço!
Trata-se penso eu, de uma atitude reveladora de grande carácter, esta de eu assumir perante a vasta comunidade de leitores deste blog que não fazia, até há pouco, a mínima ideia do significado da palavra : Amplexo.
Como é lógico, tal termo tinha já aflorado por diversas vezes, a macia pele dos meus lindos pavilhões auriculares. Haveria muito a dizer sobre estes mas, espante-se senhor leitor, sobre o tal do amplexo fui vêr e dizia assim: “Amplexo é uma forma de pseudocópula no qual um anuro macho se coloca no dorso de uma fêmea, agarrando-a com as suas patas, enquanto esta faz a postura dos ovos.” (wikipedia, dixit). E continua: “Em algumas espécies ocorre amplexo cefálico, onde a cabeça da fêmea é agarrada.” Parece-me assustador! Se por um lado, aparentemente, o amigo que tanto estimo resolveu pôr fim á sua opção hetero, enveredando por outros caminhos, quiçá ambivalentes ou até antrivalentes ou mais, por outro, sentir-me-ei ignóbil só pelo facto de ter posto em dúvida a sua escolha sexual. Por via das dúvidas, agradeço mas não estou interessado! Não por ele, mas por mim. Não é ele que não agrada, sou eu é que não gosto. De qualquer forma, sinto-me agradecido, embora de uma forma estranha. Ficará sem saber, caro leitor, qual dos dois faria a “postura dos ovos” que, até ver, é pratica comum neste tipo de gente.
Continuei a ler a explicação da amiga wikipédia, a qual, por diversas vezes se referiu aos anuros. – Espécie de ser humano do sexo masculino com tendência para a cópula com outros do mesmo sexo, pensei eu. Fui ver e... não era nada disto. Trata-se de um animal anfíbio que, por sinal, tem as suas opções sexuais perfeitamente definidas e que vem deitar por terra todo um conjunto de conjecturas estranhas que têm vindo a deambular na massa cinza-pálido a que chamo cérebro. É uma espécie de rã ou sapo. É viscoso. É um anfíbio, portanto.
Assim sendo voltei a procurar no Google a mesma palavra . Desta vez, foi um tal de Wikcionário que me disse que: “am.ple.xo masculino (plural: am.ple.xos)- abraço; acção de abraçar algo ou alguém; dar um abraço”. Fiquei descansado. Queria mesmo dizer abraço. Não devia ter duvidado. Claro, abraço. Como tinha previsto, era abraço. Xicoração, ou coisa parecida. A-BRA-ÇO! Pois! Abraço. Era isso. De futuro, não voltarei a duvidar das escolhas sexuais dos que conheço. Mesmo que estes insistam no contrário.
Subscrever:
Mensagens (Atom)