quinta-feira, 17 de setembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O preço da distância

As palavras, quando ditas à distância - e mesmo que sejam repletas de sabedoria -, não têm o mesmo efeito quando ditas olhos nos olhos. Podemos até estar juntos e não dizermos uma só palavra, mas a circunstância de estarmos lado a lado, sem essa coisa nefasta da distância, consegue ter mais impacto do que um conjunto de sílabas.
Porque a distância dói, mói, corrói. Desmotiva-nos, até. Não termos por perto os que muito nos dizem - e que são capazes de verbalizar um elogio, um grito de desabafo; o que seja -, faz-nos pensar no quão fútil é o mundo. Por muito maior que ela seja, são as pequenas coisas que importam. Um abraço, um beijo, um olá, um obrigado, um «podias ter feito este trabalho bem melhor». Acima de tudo, a vida vale por quem, no dia-a-dia, nos diz isto e muito mais. Tudo isto se passa numa pequena parcela da Terra. E, mesmo assim, conseguimos, por vezes, ser tão fortes que o mundo se torna demasiado pequeno à escala daquilo que verdadeiramente somos, fazemos e sentimos. Acho que vale a pena continuarmos a batalhar. Por mim, pelo menos, já valeu a pena...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Todas as ruas do amor

Se sou tinta
Tu és tela
Se sou chuva
És aguarela
Se sou sal
És branca areia
Se sou mar
És maré cheia
Se sou céu
És nuvem nele
Se sou estrela
És de encantar
Se sou noite
És luz para ela
Se sou dia
És o luar

Sou a voz
Do coração
Numa carta
Aberta ao mundo
Sou o espelho
D`emoção
Do teu olhar
Profundo
Sou um todo
Num instante
Corpo dado
Em jeito amante
Sou o tempo
Que não passa
Quando a saudade
Me abraça

Beija o mar
O vento e a lua
Sou um sol
Em neve nua
Em todas as ruas
Do amor
Serás meu
E eu serei tua




Intérprete: Flor-de-Lis
Letra da canção: Pedro Marques e Paulo Pereira

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Já chegaste?

Pergunto-me se já chegaste e com isto só me lembro "deves estar a chegar (estiveste tão longe e agora deves estar a chegar)". Espero que estejas bem. Por algum motivo estou desmotivada (mas deve haver um motivo para esta falta de motivação).
Suspiro quinhentas vezes e em cada suspiro sinto o meu pavio da vida a consumir-se rapidamente e com ele vai a minha luz. Entendes? Sinto-me assim desde ontem... a apagar-me. E tu estás longe e não me podes dizer aquelas coisas certeiras que me fazem perceber que ainda não perdi completamente a minha sanidade. Fazes parecer que tudo aquilo que eu sinto de anormal em mim é o mais natural da vida. E eu vou deixando de me sentir assim tão estranha e... a apagar-me.
Já chegaste?

Leituras de viagem

Levo, nesta minha viagem, três livros. Demorei aproximadamente 3h45 para escolher dois deles. O outro - o de capa branca - foi gentilmente ofertado pela senior account cá de casa. Além de me ter ficado barato (não foi, sequer, comprado com o meu cartão de crédito), ajudou-me a economizar tempo. Se eu tivesse de escolher um terceiro livro, arriscava-me a acabar a selecção lá para as 5h da manhã. E era chato. Mas, de todos eles, há um que salta à vista...
...«O Signo dos Quatro». Não tanto pelas qualidades por demais evidentes do autor (A. Conan Doyle), mas antes porque o 4 é, em si, um algarismo especial. É um número que - na minha singela perspectiva - encerra toda uma mítica que permanecerá, para sempre, no tempo. Cerro os olhos e imagino o 4...
Num instante, assaltam-me à memória imagens dispersas e difusas de círculos quadrados; água (será de um rio?); dois pares de copos atestados com sangria; televisões que não funcionam (há aqui influência do 4, tenho a certeza); gemidos (não foram 4, mas - pelo menos - duas vezes, isso foram).
O 4 é um número que me acalma o espírito e me faz dormir. Mas há algo no 4 que, qual contrasenso, me faz sobressaltar (como se de um pesado ressonar se tratasse). No fundo, o 4 é um algarismo fofinho e uma besta.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Reflexões quase em tempo de check-in...

Makira, a vida é o que é e vale aquilo que vale. Se é muito ou pouco, só depende (em parte) de cada um de nós. Mesmo que, por vezes, possa parecer que estamos a atravessar o cabo das tormentas, não merece a pena hastear a bandeira branca e desistir a meio da travessia. Sei do que falo porque sou exímio em caminhadas difíceis. Tenho o dom de me calharem em sorte (não é escolha; simplesmente acontece e, contra isso, nada há a fazer; e contrariar a alma é como pôr uma venda nos olhos) percursos sinuosos. Mas sei que alguns desses atalhos me levam a caminhos muito felizes.

As circunstâncias fazem parte da vida. Umas mais dolorosas do que outras, mas acredito que nada é fruto do acaso. Passei a dar mais importância ao momento presente. Porque há segundos ou minutos que, no fim de contas, valem toda uma vida. Passei a escutar mais a voz do coração e a silenciar a da razão. E, assim como assim, a razão não explica tudo (nem consegue, sequer, ter a capacidade de nos fazer acelerar o batimento cardíaco, por exemplo).

Também não sei lidar com as saudades. Também fico de mau humor. Ou (contrasenso, eu sei), com um aparente bom humor (mas que não passa disso mesmo: uma aparência que serve apenas para camuflar uma espécie de formigueiro interior; um vazio interior; de que algo fica). É nas alturas em que a distância me separa dos que mais gosto que emerge, ainda mais, este saudosismo. Vejo toda a vida passar-me à frente, em frames sequenciadas, e apodera-se de mim uma vontade inolvidável de voltar aos momentos em que já fui muito feliz. E não há dinheiro que pague a felicidade - mesmo que passageira e marcada no tempo.

Não sei como será o dia de amanhã. É essa incerteza que justifica ainda mais a outra certeza; a da necessidade de saborear o presente (ou, por outras palavras, de fazer com que este tempo presente seja memorável no futuro). As más recordações também existem e fazem parte da vida. Mas é por isso que lhe chamamos passado. O agora é tudo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Saudades

Não lido bem com saudades. Fico de mau humor. Detesto contagens decrescentes. Prefiro pensar na globalidade e depois surpreender-me com a proximidade do fim das saudades.
Mas além disso, acho que há saudades e há saudades. Há outras saudades que nos fazem sentir bem, como dois braços a agarrarem-nos e a paralisarem-nos naqueles instantes segundos de viagem ao passado. "E lembraste quando..." até dá para sentir cheiros, ver o filme e trazer novamente as emoções. No fundo, o que remonta ao passado, se tiver sido um passado bem processado, poderá trazer este tipo de saudades que se taduzem por um sorriso no presente ou uma gargalhada pelo que foi e soube bem.
Não gosto de remexer no passado. Aconteceu. Já não faz parte do presente. Mas confesso que, às vezes, o remexer pode ser um momento bem passado no presente. Sem significado para o presente - é como ver um filme. Passa-se um bom momento a recordar.
Hoje mais do que nunca precisava de "fugir" do presente. Na nossa conversa utilizaste bastantes vezes este termo. "Fugir", "fugir" e, afinal, no presente, ajudaste-me a "fugir". E no presente eu precisava de "fugir".
E a armadura não serve apenas para o combate, a menos que eu esteja numa batalha todos os dias... se calhar é isso. Mas já estou a conseguir levantar o peso da armadura.
Obrigada pela disponibilidade e por simplesmente "estares".

PS - vou tentar ser mais oásis e menos enxurrada.