sexta-feira, 2 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A voar

A capacidade de acreditarmos levará a nossa alma até ao céu; a concretização daquilo em que acreditamos trará o céu para a nossa alma.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Por um momento

«Há fotografias que mentem. Porque as fotografias suspendem a felicidade de um momento (tal como se ele fosse eterno). Aí, tu ficaste para sempre - feliz, suspensa e eterna. Essa é, hoje, a imagem mais forte, mais verdadeira, que tenho de ti. Não saias desta nossa fotografia. Nunca.»

(Miguel Sousa Tavares, NO TEU DESERTO)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rumo a destino incerto (mas com certezas na bagagem)

Nem sempre temos o que queremos e queremos o que temos. Uma determinada circunstância, por exemplo, pode ser vivida de forma abstracta, algures entre o ter e o não ter. Porque, mesmo supondo que nunca o iremos ter, há fixações que se nos permanecessem enraizadas na mente (não confundir com viver na ilusão). A psicanálise explica: a fixação não é mais do que um estádio onde se fixa um determinado desejo e que é caracterizado pela persistência, até que a vontade expressa seja, finalmente, cumprida.
Muito sumariamente, é isto: os psicanalistas convivem muito mal com a realidade. Deviam sair mais vezes de casa. São desfragmentados ao nível da insanidade. Deviam fazer uma ou outra loucura para perceberem a essência da vida. São demasiado perfeitos. Se fossem suficientemente alienados (ou doidos, recorrendo à gíria) talvez percebessem que nem sempre a vontade expressa é cumprida - por muita persistência que possa haver, por intermédio da fixação.
Falando pouco ou nada metaforicamente, também é isto: a vida vale muito pela dimensão que atribuímos às «coisas». No meu caso particular (e não sou suspeito para falar, porque conheço-me há muito tempo para saber que a minha loucura tem uma certa sanidade e bom senso q.b.), dou muito valor a tudo aquilo que acho que mereça ter valor. Mas isso sou eu, que - apesar de uma certa sanidade e bom senso - não deixo de ter, afinal, uma capa que esconde uma dose de loucura (polvilhada com uma pitada de parvoíce que, por vezes, me leva a ser injusto para com as pessoas que gosto).
Não sei para onde caminho (mas sei que rumo desejaria tomar). As mudanças, mesmo que aparentemente bruscas, não me assustam. O que é certo é que me sinto sozinho numa peregrinação a destino incerto. Tornei-me crente mesmo sem o pretender. Não estava nos planos, sequer. Simplesmente aconteceu. Mesmo sabendo no que acredito e no que sinto, tenho de reflectir sobre a posssibilidade de me tornar, tão depressa quanto possível, num psicanalista...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Da vida (II)

Olá. Falar "da vida" é, sem dúvida, assunto pleno de confusão, emoção e respiração... Podia ter feito um comentário, mas pareceu-me pouco para me pronunciar "da vida".
Falar "da vida" é falar das nossas escolhas passadas, presentes e futuras. Apagar? Não, nunca. São elas que fazem quem eu sou, quem tu és. Ter vergonha, também não. Voltar atrás? Não. Se as vivi foi porque as precisei de viver e elas enriqueceram. Não aplaudo tudo o que fiz e faço e farei. Já fui louca assumida. Já quis apagar o sopro de vida em mim. Já dei gargalhadas bem alto sozinha no meio da rua.
Vivo num constante limbo entre a alegria e o sofrimento e em todos estes anos não consigo mudar isso. O que está na base, eu sei. É a revolta. A revolta para com "a vida"; para com as circunstâncias que me envolvem tão profundas como a morte de alguém ou como o cheiro e o toque de quem se ama... e sinto tanta dor como sinto tanto prazer.
Às vezes penso na minha vida e na maneira como reajo a ela de uma forma em que parece que toco tudo com as pontas dos dedos. Sinto tudo e filtro tudo nesta epiderme. Processo de forma instintiva e reajo. Combate? Sempre pronta!
Sou capaz de amar ternamente como de ripostar de forma animalesca. Preciso sempre de uma droga para me equilibrar. O teu sorriso, o sorriso dela. A vossa presença fazem-me cantar de alegria. Porque a minha vida é muito mais. É a vossa vida com todas as escolhas feitas por vocês. Não apagues a riqueza dentro de ti. Não me faças pensar que tenho de ter os pés no chão desta terra que piso e como tal apagar o que fui e quem eu sou...

Com todo o meu amor.

domingo, 20 de setembro de 2009

Da vida

Há momentos em que, tão só e simplesmente, me apetecia ser apagado. Porque, apesar da minha obstinação em forma de casmurrice, sinto que merecia um mundo melhor. Não que não faça por isso - por pouco que seja - todos os dias, mas antes porque o mundo é, de facto, cruel. Não deve ser por acaso, aliás, que anunciamos a nossa chegada com lágrimas, ladeadas por gritos abafados de mágoa que nos despejam a alma e esvaziam os pulmões. Suponho que, nos primeiros instantes após o nascimento, a epiderme sente logo o toque agreste do mundo; uma espécie de brisa que resvala a pele, bem em jeito de aviso, de que a vida não será fácil.

Viver é (ou deveria ser) a coisa mais rara do mundo. No entanto, a maioria de nós limita-se a existir (por todas as mais variadas e complexas razões, o que nem sempre deve ser censurável). Sinto que sou um louco porque vivo num mundo que não merece a minha lucidez. O mundo parece-se, cada vez mais, com um palco onde muitos aparentam viver no limiar da felicidade. Pomos um ar sereno, envergamos o nosso melhor fato do optimismo e acreditamos que amanhã é que vai ser. Entretanto, fechamos os olhos ao passado e mordemos os lábios, na vã esperança de que o dia de hoje não seja mais do que isto: normal.

Tenho pensado no meu mundo - no que tenho e no que poderia ter. Não sei, sinceramente, em qual destes dois reside (ou residiria) a minha maior felicidade. Provavelmente - e porque há sonhos que nos perseguem - seria muito mais feliz no mundo que poderia ter. Não que aquele que hoje tenho seja sinónimo de eterna tristeza; bem longe disso, aliás (ou, pelo menos, bem menos longe do que já fora em tempos mais longínquos). Mas porque sei que, no mundo que eu poderia ter, há todo um conjunto de (im)possibilidades que me dariam ainda mais coragem para correr com ânimo renovado, na ânsia de alcançar sonhos, vontades e desejos.

Ninguém tem a obrigação de entender ou de aceitar o meu mundo; apenas que o compreendam, nada mais. Porque ele pode parecer complexo, mas é simples. Vivo muito em função do aqui e agora. Respeito o que sinto e admiro, sem jamais querer impôr quaisquer concessões (ou ferir susceptibilidades). É por isso que, por vezes, nas mais diversas circunstâncias da vida, tenho a leve sensação de que sou aquela folha que caiu do cimo da árvore, tendo sido capaz de desarrumar todo um universo inteiro. Pressinto que posso estar sem quererem propriamente que eu lá esteja (apesar da minha vontade de me ficar). É uma generalização, de resto, que se aplica a todos os campos da vida.

O meu avô dizia-me, com o ar mais sábio e meigo deste mundo, que há três coisas na vida que nunca voltam atrás: uma flecha lançada; uma palavra pronunciada; e uma oportunidade desperdiçada. Sobre as palavras pronunciadas: posso até nem concordar com tudo o que algumas pessoas dizem. No entanto, sou capaz de defender até à morte o direito que elas têm de o dizerem. Este é o caminho da verdadeira amizade (providenciada por quem nos rodeia e por quem gostamos), que nos leva a saber tirar proveito das oportunidades, sem nunca deixar que as flechas não acertem no alvo.

Intriga-me saber o que pode haver muito para além da própria vida. Nada do que somos deverá ser por mero acaso; nada do que nos acontece (ou não acontece) terá de ser apenas ocasional; há um sofrimento (que, sem dúvida, não é distribuído de forma igual por todos) que terá de ser compensado de alguma maneira. A haver justiça divina, seria razoável que ela fosse posta em prática ainda aquando da nossa passagem pela Terra.

Talvez assim fossemos a tempo de evitar desperdiçar oportunidades; talvez tivessemos mais coragem em transformarmos o mundo que «poderíamos ter» no que «temos»; talvez a nossa loucura fosse suficientemente contagiante para fazer com que o mundo não fosse demasiado normal e enfadado, cheio de regras e assombrado por falsos atilados que nos lembram, a todos os instantes, que há sempre uma norma qualquer para nos fazer calar o bater compassado do coração.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009