sábado, 10 de outubro de 2009

(a)roma

Quando despertamos de um sonho, a vida perde o (a)roma...

Cada segundo foi diferente

Esta semana teve de tudo...
Encontros, desencontros, amuos, birras, gargalhadas, velocidade em excesso (muita velocidade), velocidade zero, lágrimas, berros, sorrisos, cansaço, alegria, álcool, mar, amigos, ratazanas, zinks, tangos, licor beirão, vodka, poncha, flores, revistas (muitas revistas), apoio, confusão, problemas, vitórias, derrotas, discussões, saudades, imprevistos, chuva, fome, taquicardia, tristeza, desilusão, poemas, recordações, surpresas, pizza, vídeos, convite, estudos, mudanças... e acho que não aguento mais...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Palavras

As palavras teimam em ficar aprisionadas. Indago por elas, mas em vão. Mesmo as mais simples parecem ter embarcado nesta obstinação, deixando-me a braços com o silêncio vago e cru. Tenho a sensação que cada letra me fugiu das mãos. As vogais desentenderam-se com as consoantes; o sujeito voltou as costas ao predicado; a fonologia e a semântica deixaram de fazer sentido. Como se não bastasse, falta-me a voz. E o bater forçado no teclado denuncia já alguma fraqueza.

Não me solto. Estou encarcerado nos teus passos, sem saber porque não me liberto. Nem eu próprio entendo o encanto que tens e que me fascina. Bem sei que és veneno. No entanto, e quanto mais te condeno, mais quero ficar. Bem sei que é loucura. Mas tudo em mim te procura quando não estás.

Teria tanto para te dizer. Só que as palavras insistem em andarem desencontradas com a minha vontade. Elas preferem o silêncio do que a ouvirem-se entre si mesmas. O significado dos sons articulados, contudo, continua a ser o que sempre foi: verdadeiro e sincero. Gostava de colocar um ponto final, mas não consigo. O tempo é demasiado precioso para deixar a frase a meio. Sozinho, não me cansarei de procurar os verbos que quero conjugar; mesmo que conjugados no pretérito perfeito; e mesmo que nunca exista uma primeira pessoa do plural.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A voar

A capacidade de acreditarmos levará a nossa alma até ao céu; a concretização daquilo em que acreditamos trará o céu para a nossa alma.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Por um momento

«Há fotografias que mentem. Porque as fotografias suspendem a felicidade de um momento (tal como se ele fosse eterno). Aí, tu ficaste para sempre - feliz, suspensa e eterna. Essa é, hoje, a imagem mais forte, mais verdadeira, que tenho de ti. Não saias desta nossa fotografia. Nunca.»

(Miguel Sousa Tavares, NO TEU DESERTO)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rumo a destino incerto (mas com certezas na bagagem)

Nem sempre temos o que queremos e queremos o que temos. Uma determinada circunstância, por exemplo, pode ser vivida de forma abstracta, algures entre o ter e o não ter. Porque, mesmo supondo que nunca o iremos ter, há fixações que se nos permanecessem enraizadas na mente (não confundir com viver na ilusão). A psicanálise explica: a fixação não é mais do que um estádio onde se fixa um determinado desejo e que é caracterizado pela persistência, até que a vontade expressa seja, finalmente, cumprida.
Muito sumariamente, é isto: os psicanalistas convivem muito mal com a realidade. Deviam sair mais vezes de casa. São desfragmentados ao nível da insanidade. Deviam fazer uma ou outra loucura para perceberem a essência da vida. São demasiado perfeitos. Se fossem suficientemente alienados (ou doidos, recorrendo à gíria) talvez percebessem que nem sempre a vontade expressa é cumprida - por muita persistência que possa haver, por intermédio da fixação.
Falando pouco ou nada metaforicamente, também é isto: a vida vale muito pela dimensão que atribuímos às «coisas». No meu caso particular (e não sou suspeito para falar, porque conheço-me há muito tempo para saber que a minha loucura tem uma certa sanidade e bom senso q.b.), dou muito valor a tudo aquilo que acho que mereça ter valor. Mas isso sou eu, que - apesar de uma certa sanidade e bom senso - não deixo de ter, afinal, uma capa que esconde uma dose de loucura (polvilhada com uma pitada de parvoíce que, por vezes, me leva a ser injusto para com as pessoas que gosto).
Não sei para onde caminho (mas sei que rumo desejaria tomar). As mudanças, mesmo que aparentemente bruscas, não me assustam. O que é certo é que me sinto sozinho numa peregrinação a destino incerto. Tornei-me crente mesmo sem o pretender. Não estava nos planos, sequer. Simplesmente aconteceu. Mesmo sabendo no que acredito e no que sinto, tenho de reflectir sobre a posssibilidade de me tornar, tão depressa quanto possível, num psicanalista...