sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Gravedigger
When you dig my grave
Could you make it shallow
So that I can feel the rain
Gravedigger
Gosto deste refrão
O autor é o Dave Mathews.
Para ouver, aqui.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Amor eterno
Conheço-a à pouco mais de uma década. Sempre foi muito bela. Desde o primeiro momento que a vi que senti este amor. Não se trata do “amor à primeira vista”, o clássico, o dos filmes. Trata-se de algo tão profundo que não é fácil descrevê-lo. Certo é, que os grandes amores, de uma maneira geral não são sentimentos de fácil descrição. Por vezes, nem nós próprios sabemos o que sentimos. Mas de facto, sabemos que sentimos algo sem no entanto o sabermos descrever.
Sobre o meu amor, quando a vi pela primeira vez, senti que este amor seria eterno. Foi tão forte, tão intenso, que quando o recordo, me emociono. Ficou-me no coração a primeira imagem, o primeiro momento e, se Deus quiser, nunca mais o esquecerei.
Dormia ao de leve, serena, envolta num manto branco. Toquei-lhe aos poucos na face, devagarinho, fiquei maravilhado. A sua beleza era única, nunca tinha visto uma mulher assim. A sua pele era lisa e fresca e os olhos, em repouso, pareciam dois riscos em arco, sorridentes e calmos. No centro da face, altivo, um nariz de petiz, arrebitado. Dos seus lábios recordo apenas a perfeição, recordo o delineado e curvilíneo acre, numa composição de pleno e de belo, um quadro que me encantou. Ao segurar-lhe a mão delicada, imediatamente apertou os seus dedos nos meus e suspirou quase sem se notar. Ainda sem o saber, ela sentia o mesmo por mim.
É eterno este nosso amor. É gratificante, é inspirador, renova energias e dá alento. Dá-me forças e por ela, asseguro-vos, movo montanhas e combato dragões, enfrento centúrias romanas e sem dúvida, sem a mínima dúvida, sem hesitações, troco a minha vida pela dela agradecendo, de seguida, a oportunidade.
Sobre a beleza do meu grande amor, o mundo poderá discordar, mas é isto que sinto pela minha filha e sobre isso, lamento, mas não há volta a dar!
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Volumetria
Todos os dias cruzamo-nos. Bem vejo como elas me tentam. Baloiçam a cada passo e marcam o ritmo do meu dia. As maminhas da chefe são a minha rosa dos ventos. Estão ali mesmo à mão de semear. É frustrante olhar para o cardápio quando não se pode tocar no presunto (daí, aliás, que o fruto proibido seja sempre o mais apetecido). Ainda assim, as vistas não devem ser menosprezadas. Gosto de seios geometricamente bem definidos. Volume q.b. associado a uma fisionomia que, à primeira vista, me parece verosimivelmente perfeita. Dá vontade de lhes saltar em cima, bem em jeito de um trampolim. As maminhas da chefe estão para as minhas mãos como as renas estão para o Pai Natal. Imaginá-las sem mim por perto é como pôr o Pai Natal a fazer um anúncio a um creme de barbear. Simplesmente não faz sentido.
Hoje, notei que a maminha direita estava mesmo disposta a sentir a pressão da minha mão esquerda. Ainda pensei em satisfazer-lhe a vontade, mas, por uma questão de cortesia para com a maminha esquerda, achei por bem manter a mão quieta. Poderia ter avançado com a mão direita, mas isso só iria enfurecer o seio esquerdo. Nada como pacificarmos a questão: é ir em frente com as duas mãos ao mesmo tempo e pronto. Assim também as duas maminhas o queiram.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A sorte calha-nos à nascença
Há dias conheci uma criança. Não me ficou o seu nome e por isso chamar-lhe-ei Rafael. Terá, se não me falha a apreciação, seis, sete anos. Loirinho, com aquele cabelo semi-encaracolado e jeitos rebeldes, aparentemente indomável que, a meu ver, faz pensar que o petiz é dono de um comportamento tão selvagem como aquele que o seu escalpe aparenta. Mas não. O Rafa (prefiro chamar-lhe assim), desloca-se de forma relativamente lenta. Até ver, as suas pernas demonstram a ausência daquela energia eléctrica que é característica nos miúdos desta idade. Creio que não nasceu com nenhuma deficiência física. Também me pareceu que não nasceu com nenhuma deficiência mental mas, no breve contacto que tive com ele, fiquei convencido que algo não funcionava correctamente dentro daquela cabecinha loira.
Sobre a cabecita loira, observei que a zona da testa fazia lembrar o homem elefante. Era excepcionalmente disforme, assimétrica, demasiado sobranceira, empenada e os seus ossos, cobertos com uma pele que já foi de bebé e que agora apresenta um sem-número de cicatrizes, estão anormalmente disformes. Não articula bem as palavras e com aquela idade ainda se baba ligeiramente. Tem olhos azuis. Tão azuis e tão normais que, neste contexto, quase me fazem chorar.
Quando o cumprimentei, naquele dia, senti uma mão áspera e anatomicamente imperfeita. Não estava bem vestido. Também não estava muito limpo.
Momentos depois, apareceu a mãe. Veio buscá-lo á escola. Abraçou-o quando ele correu para ela, de braços abertos e visivelmente feliz por a ver. Parecia uma mãe normal, igual a tantas outras que pude observar, noutras ocasiões, naquela escola. Nesta senhora destacava-se apenas, e não sei se me vai ser fácil descrever, uma espécie de olhar amoroso, uma atitude carinhosa com tudo e com todos, que se percebe, mas que não é comum.
Mais tarde, alguém me contou a história do Rafa. Diz-se que foi filho de boas famílias. A mãe, que não é a sua, é a dona do colégio para meninos órfãos onde o miúdo vive desde muito bebé. O Rafa não é órfão. As entidades competentes, há uns anos, retiraram-no do seio familiar. Os seus pais, ao invés de dar amor, enchiam-no de pancada, tão violentamente que o desfiguraram e o mutilaram de tal forma que os seus ossos, nomeadamente os da cabeça, assumiram formas diferentes dos das outras crianças. Foi esta a razão que alterou o bom funcionamento do cérebro deste loirinho.
O Rafa teve sorte, esteve quase, mas não morreu.
Uma vez vi o Rafa rir ás gargalhadas. Naquele momento, pareceu-me feliz.
Se acreditarmos que estamos cá no mundo com um propósito, o do Rafa será que é o de nos mostrar, quando estamos tristes achando que tudo é mau, que quando tudo é mau ainda podemos rir?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
...
Por vezes, a melancolia e a angústia sufocam-me. Mesmo sem motivo aparente. Há dias em que é pela dor física e também por aquela que não se vê. Cada vez percebo menos o mundo. Porque sei que, no fundo, sou honesto, consciente do que sinto, verdadeiro e com vontade de aprender. Sempre. Mas viver todos os dias cansa. Porque sim. Ou porque não.
Apetece-me apanhar a maré vazia. Sozinho. Aguardar que a água vá subindo, até me afogar os sentidos. Está quase. Já sinto a ondulação gélida a debater-se com a minha pele. Estou prestes a fechar os olhos. Já vislumbro os cardumes coloridos e a beleza das algas. Quero ficar aqui para sempre. Mesmo para sempre.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Cruxifiquemos os nosso nacos como se fossem um só
Cada vez que se abeira a mim, toca-me nos sentidos. Reparo em cada contorno do seu corpo. Se este tipo de contemplação está implícita na própria natureza dos homens, então, em mim, parece estar muito mais. Há algo em M. que vai muito para além daquilo que vemos. Talvez a idade e a experiência lhe tenham toldado o sentido da vida e a percepção do mundo em que vivemos. Só assim se pode explicar o seu jeito afável com que nos suporta - sobretudo nos momentos em que estamos com o cio. Contemplar M. é ver as estrelas (mesmo nas noites em que as nuvens encobrem o céu). Admirar a beleza de M. e contabilizar sorrateiramente cada curva do seu corpo esguio e apetecível é apanhar um banho de sol (mesmo nos dias agitados pelo vento, em que troveja, chove e faz frio). Há toda uma estética e maneira de ser que nos faz acreditar que há ainda muito para aprender. Não importa a idade - mas antes aquilo que fazemos com ela. M. merece uma observação científica; um olhar clínico. A mim, sei bem qual o diagnóstico que me faria (e o tratamento que me deveria aplicar. Mas isso são princípios activos que não cabem aqui neste prontuário terapêutico).
M. remete-nos para um mundo de fantasias e sensualidade. Não falo de algo de cariz meramente sexual. Para isso, bastar-me-ia a carne que tenho no talho lá de casa - que sabe bem, diga-se de passagem, e está tenra como nunca; agora que falo nisso, acho que a qualidade dos nacos que tenho comido recentemente supera quaisquer outros de produção biológica ou com Denominação de Origem Protegida.
Mas não nos desviemos do essencial: M. faz-nos bem à vista. Eu, por mim, aprenderia e treinaria toda a essência da linguagem braille com ela. Ou provava um pouco da sua carne. Uma espetada mista era o ideal. Assim, o talho ficaria mais composto e diversificado.
