segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um pouco do meu lado 'Wikileaks' (ou algo de mim que perdi, procurei e não encontrei)

Já percorri todas as ruas e vielas, interroguei velhos amigos, segui-lhe o rasto no ciberespaço. Vasculhei os meandros do Facebook (conheço apenas duas pessoas que, nos dia de hoje, não têm Facebook: ela e o Miguel Sousa Tavares [e tirando outros dois ou três sujeitos - que, tenho a certeza, acabarão por ceder; será apenas uma questão de tempo]). Fui ao ponto de pesquisar o seu nome no universo da Wikileaks. Porque, no fim de contas, um 'desaparecimento' assim só pode mesmo estar classificado secretamente (ou sob o domínio do segredo de Estado). Por ora, chamemos-lhe KF (as verdadeiras iniciais do nome próprio e apelido). Morada e destino incertos.

Na altura - e já lá vão mais de 14 anos (!!) -, conhecia-lhe cada canto da casa onde habitava (e nunca lá entrei). Mas fiz mais rondas do que o melhor dos melhores guardas-nocturnos do país e arredores. Até a paisagem (a barragem mesmo ali ao lado, a doce brisa a latejar nos pinheiros bravos, o eterno canto apaziguador das garças) abonava a favor daquela incursão - sempre propositada e cheia de esperança. Minto: a esperança tinha morrido logo à partida; mas fechei os olhos às circunstâncias e preferi entrar num jogo onde eu estava claramente em desvantagem (eu sabia; ela também o sabia - e ambos tinhamos pena que assim fosse).

Ironia das ironias: passados 14 anos, vi a irmã dela, pelo menos, umas 4 ou 5 vezes. A última ocorreu há coisa de 2 semanas. E, por breves instantes, reconheci os traços de KF (ainda que roubados). A irmã pouco mudou. Acredito que KF também.

Muito ficou desses tempos. Os papéis permanecem intactos. A tinta ainda está bem saliente e conserva toda a ternura que nutriamos um pelo outro. Como se a sua letra me tivesse tatuado a alma. Soa a poesia de fim de esquina, mas nada é mais verdadeiro. Porque, afinal, não é uma paixão que define um homem, mas sim as paixões. É a distância que vai do singular ao plural que faz toda a diferença. Para os que pensam o contrário, apenas vislumbro uma curtíssima reflexão: que se fodam. Porque, esses, não conheceram verdadeiramente KF como eu conheci. Tão diferentes e tão iguais. Tão próximos e tão distantes. Ainda há pouco estávamos ali e, agora, estou eu aqui e ela sabe-se lá onde.

Maldito Facebook. Estúpida Wikileaks. Quero mais é que as garças se afoguem e os pinheiros acabem transformados em pasta de papel. Ninguém sabe onde pára KF (nem o melhor dos melhores guardas-nocturnos). Se torno a ver a irmã, afogo-a na barragem. Foda-se.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Segredos que nem sabem explicar

Com 4 canais e, às vezes, à falta de um filme ou de um livro apanha-se com programas de entretenimento um pouco estridentes... Trata-se da Casa dos Segredos. E só decidi falar aqui disto por algo que me deixa particularmente confusa.
Pelos vistos, um concorrente tem um segredo sobre experiências paranormais e, pelos vistos, a revelação desse segredo teve reacções que o concorrente não gostou (julgo que assobios e risos). A apresentadora justifica isso pela forma como ele explicou o que lhe tinha acontecido. E ao que parece não foi dramático o suficiente a contar.
Pelo que percebi, em duas situações de repouso, o espírito saiu do seu corpo e tinha uma luz a puxar-lhe. Neste processo conseguiu ver o seu corpo deitado.
Bom, discordo com a apresentadora porque realmente não acho que estas experiências tenham de ser dramáticas... longe disso!!
Mas discordo completamente do concorrente quando diz que por causa destes episódios acredita que tem um dom e é por isso que a vida lhe corre a 100%. É de uma ignorância que me deixa confusa e até irritada!! Ainda por cima porque podia com a revelação deste segredo fazer uma tarefa de responsabilidade na nossa sociedade, abrindo mentes, mas só acabou por gerar o ridículo à volta de experiências paranormais.
Para quem não sabe, na maior parte das vezes em que sonhamos a nossa alma sai do corpo. Azar dos azares, não temos consciência ou lembramo-nos dos sonhos e nem distinguimos que alguns deles implicaram uma viagem a sério da nossa alma, afastada no nosso corpo. Mas estas saídas, acontecem também em outras situações, mais "dramáticas" como experiências quase-morte ou mais relaxantes como a meditação ou o repouso. Há certas condições por vezes no nosso estado (físico, mental, emocional) que, numa simples situação de repouso, pode despoletar a saída da nossa alma e nós termos conscientes do que está a acontecer. De facto, o físico fica um peso morto e paralisado e começa num estado dormente até recuperar toda a sensibilidade e movimento.
São situações muito comuns e se acarretam um dom... então todos temos esse dom porque em sonhos essas experiências são realizadas vezes sem conta!
Que tristeza e revolta quando alguém tem uma saída da alma consciente e nem sabe o que significa, como pode acontecer, e coloca isso em praça pública da maneira mais errada e ignorante possível, achando-se detentor de um dom!!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Palpitações: um relembrar de nós

Ao que parece andamos todos com palpitações! E palpitações no sentido físico do termo, como quem diz "o coração bate velozmente e quase que nos sai pela boca".
Devíamos encontrar uma justificação bonita, como quem diz, espiritual para a questão. Talvez porque nos sentimos cansados do motivo... a culpa é sempre do maltido stress!... E também não vemos algum romantismo nestas palpitações: não se trata de um amor que faz palpitar. O amor faz cócegas na barriga e não provoca palpitações (coisa que causa estranheza pois amor é coração e coração deveria ser palpitação). A verdade é que somos muitos a sentir essas palpitações... muitos, e pelos vistos, pouco românticos e bastante stressados!
Mas, procurando outras explicações mais "bonitas", encontramos na wikipédia a seguinte contextualização das palpitações: "O termo palpitação designa a sensação de consciência do batimento do coração, que habitualmente não se sente."
Ora, aqui está algo capaz de esboçar um sorriso e de tranquilizar todos nós seres mais palpitantes. Afinal, as palpitações têm o seu lado bom - fazem-nos ter consciência de que estamos vivos! De que o nosso coração está a bombear e não estamos adormecidos. As palpitações despertam-nos do sentido automático que, por vezes, a vida adquire e fazem sentirmo-nos.
Talvez isso signifique que a frequência das palpitações e o número cada vez mais alargado de pessoas que afecta é indicativo de que andamos muito adormecidos, ou melhor, muito esquecidos de nós e que precisamos de nos relembrar...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A perfeição ou a idealização?

Ninguém é perfeito! E eu estou longe da perfeição. É difícil compreender isto? Não! Assim dito, é fácil. Todos sabemos, estamos fartos de saber, que ninguém é perfeito.
Ora, se o sabemos por que é que insistimos que as pessoas devem ser perfeitas? Por que é que ficamos aborrecidos quando nos "contrariam" e não aceitam na "perfeição" o que idealizámos??? E é isso... o que idealizámos. Sabemos que ninguém é perfeito, mas ansiamos, esperamos e até acreditamos que a perfeição existe e que passa por corresponderem aos nossos ideais!
Estamos habituados a que as outras pessoas esperem de nós as respostas/reacções típicas/normais, ideais... aquelas a que nos habituámos, que vimos nelas a perfeição dessa pessoa e que se tornou nesse ideal. Mas o que acontece quando viramos o jogo? Quando reagimos de forma diferente à perfeição que os outros nos conhecem? Quando dizemos chega a situações em que sempre demos tudo para corresponder àquela perfeição, mas agora não conseguimos mais manter a força em diferentes direcções, menos numa... a nossa!...
Acontece que deixamos de ser perfeitos, deixamos de ser a representação dos ideais, deixamos de ter forças na nossa direcção porque já não as mantemos nas outras direcções. Deixamos de alimentar o cordão umbilical de certas relações e, assim, elas morrem porque o fluxo dos alimentos seguia apenas numa direcção... a delas.
Passamos a ser imperfeitos e como tal já não temos um olhar demorado em nós. Temos a ausência de uma presença que mantinhamos viva, mas que desaparece, deixa de estar, porque nós já não conduzimos o oxigénio... deve ter ido procurar outra fonte de vida e abandonou-nos sem antes perguntar se precisávamos do seu oxigénio...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

olá a todos

porque é que vocês deixaram de escrever aqui? escrevem muito aí e faltam-vos forças para escreverem aqui? é isso? tenho pena. estão a fazer suplementos de natal? é isso? tenho pena. isto a mim continua-me a aparecer aqui no blogger, a modos que, derivados de, de maneiras que, prontos, aproveito e preencho a lacuna, preencher lacunas é bom, quando é que vêm cá a casa para o tradicional jantar de natal?, bom, estive dois meses e tal, provavelmente foram quatro, sem varrer a casa, de modo que outro dia pus mãos à obra e foi o que se segue.

isto assim não se tem noção do tamanho do monstro.

atentemos nas provas que se seguem, penso que mais esclarecedoras:
isto não vos parece um coelho? porra, se isto não é um coelho...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ah

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Porque as verdades têm de ser reveladas

Docinho, Laranjinha, Cerejinha, Queque de Amora e Gelado Arco-Íris. Estas são as personagens que integram o universo da afamada série «Docinho de Morango». Trocado por miúdos: a Docinho (de Morango) é a figura central deste verdadeiro 'gang' defensor das boas maneiras, da biodiversidade, da conservação das espécies e causas afins. É uma miúda verdadeiramente humanista e com aversão aos atropelos da liberdade individual dos cidadãos (uma espécie de Carvalho da Silva, da CGTP).

Importa frisar que a Docinho entrou-me em casa pelo televisor adentro (canal Panda), captando todas as atenções do ser de 3 anos que se encontra hospedado na minha singela habitação. O vírus dissipou-se e derivou para outros formatos. Resultado: fui obrigado a adquirir (para já) dois livros que contam as atribulações da tribo da Docinho. Lado positivo: as ilustrações são boas (situadas algures entre o estilo barroco e o maneirista, embora por vezes um pouco abstractas), o texto não apresenta incorrecções e, regra geral, a Docinho e as amigas envergam vestes curtas.

No entanto, há um lado obscuro e real presente na ficção da Docinho de Morango. Vejamos: desconhecem-se os progenitores da Docinho e das suas amigas; não se sabe a origem de qualquer um dos elementos do grupo; na maioria das histórias, dormem todas juntas; não se lhes conhecem namorados; e, em algumas histórias, foi introduzida uma personagem do sexo masculino.

Este último pormenor é determinante, pois revela toda a influência do 'lobby' gay no mundo que nos rodeia. Aquele rapaz (que, na edição «Docinho de Morango vai à praia», segura uma bola com a cores oficiais do movimento GLS) é a tipificação do indivíduo marginalizado, que jamais consegue impôr-se junto dos seres do seu género. Olha-se para ele e nota-se que já há ali qualquer coisa de José Castelo-Branco. Também pode acontecer que a minha teoria esteja completamente errada. Afinal, quem me garante que o cabrão não anda a montar a Docinho, a Laranjinha, a Cerejinha, a Queque de Amora e a Gelado Arco-Íris? Arrisca-se a ficar glicémico. Mas fode que se farta.

Na imagem: a turma da Docinho de Morango. Do lado superior esquerdo,
é possível avistar a presença do único rapaz que integra o grupo (neste
caso, o que segura uma bola, junto à preta do 'gang').