domingo, 19 de dezembro de 2010

A varanda de Romeu e Julieta



Podia ser, não podia? A varanda de Romeu e Julieta! Não importa que não seja; importa que é uma varanda e que, como tal, será sempre capaz de retirar de dentro de nós um suspiro.
Tenho genes do Norte. E do Norte, o que me mais me lembro, são as varandas. São aqueles Verões quentes, demasiado abafados, que só a sombra de uma varanda nos salvava ou as escadas que a ela davam acesso e que ocupávamos, ao fim do dia, para comer um gelado.
É uma outra perspectiva romântica de "varanda", não é? Quem nunca foi feliz numa varanda?

sábado, 18 de dezembro de 2010

Anjos (meus)



Anjos...
Gosto da sua simplicidade e imponência.
Gosto de acreditar neles, quando já acredito em quase nada.
Gosto da capacidade de despertarem em mim histórias que ouvia quando era criança... e por momentos esqueço a vida de adulta e sinto um colo de conforto.

(Foto by Zhu Di, Photoshop by Makira)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Manobras


Pinto da Costa encaixa no perfil dos 'manobradores'. A categorização não é de agora e fica a dever-se essencialmente à forma como tem gerido o FC Porto. Uma pesquisa no Google, por «manobras Pinto da Costa», surte 21.800 resultados; e outra pesquisa por «manobras gruas» apresenta apenas 3920 resultados. É esta a diferença que separa um mundo e outro. Como se vê, até nisto a honestidade fica a perder. Mas nem tudo é mau. Que se saiba, Pinto da Costa (ainda) não se meteu noutras manobras mais complexas. Como estas. Isso sim, seria o cabo dos trabalhos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Letras

Tira a camisa, agarra-me a quente, deixa-me tonto, põe-me doente.
Sente o meu cheiro, enquanto me apertas, bate-me agora, vê se me acertas.
Enquanto eu me agarro, mãos na cabeça, fazemos no carro, tudo depressa.
Usa as tuas mãos, usa o teu corpo, às vezes parece que está tudo louco...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

esparregado

ah, os meus pequerruchos desataram de repente a escrever que nem doidos, e escrevem bem, pô, quase sempre não se percebe nada, porque escrevem para si próprios, com siglas e mensagens subentendidas, parece que a mandarem recados, mas não faz mal, é como as missas em latim, a gente não percebe nada mas soa muito bem, bom natal, que nosso senhor jesus cristo vos alumie o caminho, gosto muito de vos ter por cá, tenho mais uma história para vos contar, daquelas boas, mesmo boas, que, além de serem boas, são boas, estava um homem ali no colégio militar com uma cabeça tão vermelha, tão vermelha, pô, mesmo vermelha, e olhei para os sapatos e eram uns ténis vermelhos, de modo que o calçado fazia pendant com a cabeça, resta saber se foi um acaso do destino ou se o gajo, quando usa ténis verdes, também muda a cabeça para verde para fazer pendant, não é uma boa história?, eu acho.

Um pouco do meu lado 'Wikileaks' (ou algo de mim que perdi, procurei e não encontrei)

Já percorri todas as ruas e vielas, interroguei velhos amigos, segui-lhe o rasto no ciberespaço. Vasculhei os meandros do Facebook (conheço apenas duas pessoas que, nos dia de hoje, não têm Facebook: ela e o Miguel Sousa Tavares [e tirando outros dois ou três sujeitos - que, tenho a certeza, acabarão por ceder; será apenas uma questão de tempo]). Fui ao ponto de pesquisar o seu nome no universo da Wikileaks. Porque, no fim de contas, um 'desaparecimento' assim só pode mesmo estar classificado secretamente (ou sob o domínio do segredo de Estado). Por ora, chamemos-lhe KF (as verdadeiras iniciais do nome próprio e apelido). Morada e destino incertos.

Na altura - e já lá vão mais de 14 anos (!!) -, conhecia-lhe cada canto da casa onde habitava (e nunca lá entrei). Mas fiz mais rondas do que o melhor dos melhores guardas-nocturnos do país e arredores. Até a paisagem (a barragem mesmo ali ao lado, a doce brisa a latejar nos pinheiros bravos, o eterno canto apaziguador das garças) abonava a favor daquela incursão - sempre propositada e cheia de esperança. Minto: a esperança tinha morrido logo à partida; mas fechei os olhos às circunstâncias e preferi entrar num jogo onde eu estava claramente em desvantagem (eu sabia; ela também o sabia - e ambos tinhamos pena que assim fosse).

Ironia das ironias: passados 14 anos, vi a irmã dela, pelo menos, umas 4 ou 5 vezes. A última ocorreu há coisa de 2 semanas. E, por breves instantes, reconheci os traços de KF (ainda que roubados). A irmã pouco mudou. Acredito que KF também.

Muito ficou desses tempos. Os papéis permanecem intactos. A tinta ainda está bem saliente e conserva toda a ternura que nutriamos um pelo outro. Como se a sua letra me tivesse tatuado a alma. Soa a poesia de fim de esquina, mas nada é mais verdadeiro. Porque, afinal, não é uma paixão que define um homem, mas sim as paixões. É a distância que vai do singular ao plural que faz toda a diferença. Para os que pensam o contrário, apenas vislumbro uma curtíssima reflexão: que se fodam. Porque, esses, não conheceram verdadeiramente KF como eu conheci. Tão diferentes e tão iguais. Tão próximos e tão distantes. Ainda há pouco estávamos ali e, agora, estou eu aqui e ela sabe-se lá onde.

Maldito Facebook. Estúpida Wikileaks. Quero mais é que as garças se afoguem e os pinheiros acabem transformados em pasta de papel. Ninguém sabe onde pára KF (nem o melhor dos melhores guardas-nocturnos). Se torno a ver a irmã, afogo-a na barragem. Foda-se.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Segredos que nem sabem explicar

Com 4 canais e, às vezes, à falta de um filme ou de um livro apanha-se com programas de entretenimento um pouco estridentes... Trata-se da Casa dos Segredos. E só decidi falar aqui disto por algo que me deixa particularmente confusa.
Pelos vistos, um concorrente tem um segredo sobre experiências paranormais e, pelos vistos, a revelação desse segredo teve reacções que o concorrente não gostou (julgo que assobios e risos). A apresentadora justifica isso pela forma como ele explicou o que lhe tinha acontecido. E ao que parece não foi dramático o suficiente a contar.
Pelo que percebi, em duas situações de repouso, o espírito saiu do seu corpo e tinha uma luz a puxar-lhe. Neste processo conseguiu ver o seu corpo deitado.
Bom, discordo com a apresentadora porque realmente não acho que estas experiências tenham de ser dramáticas... longe disso!!
Mas discordo completamente do concorrente quando diz que por causa destes episódios acredita que tem um dom e é por isso que a vida lhe corre a 100%. É de uma ignorância que me deixa confusa e até irritada!! Ainda por cima porque podia com a revelação deste segredo fazer uma tarefa de responsabilidade na nossa sociedade, abrindo mentes, mas só acabou por gerar o ridículo à volta de experiências paranormais.
Para quem não sabe, na maior parte das vezes em que sonhamos a nossa alma sai do corpo. Azar dos azares, não temos consciência ou lembramo-nos dos sonhos e nem distinguimos que alguns deles implicaram uma viagem a sério da nossa alma, afastada no nosso corpo. Mas estas saídas, acontecem também em outras situações, mais "dramáticas" como experiências quase-morte ou mais relaxantes como a meditação ou o repouso. Há certas condições por vezes no nosso estado (físico, mental, emocional) que, numa simples situação de repouso, pode despoletar a saída da nossa alma e nós termos conscientes do que está a acontecer. De facto, o físico fica um peso morto e paralisado e começa num estado dormente até recuperar toda a sensibilidade e movimento.
São situações muito comuns e se acarretam um dom... então todos temos esse dom porque em sonhos essas experiências são realizadas vezes sem conta!
Que tristeza e revolta quando alguém tem uma saída da alma consciente e nem sabe o que significa, como pode acontecer, e coloca isso em praça pública da maneira mais errada e ignorante possível, achando-se detentor de um dom!!