Ensinaste-me tanta coisa e continuas a ensinar. Ainda agora que chegou a minha vez de cuidar de ti, tu ensinas-me, quando sou eu que devo ensinar-te aquilo que aprendi contigo e que agora te vais esquecendo.
É verdade que já não te ouço há algum tempo. E sei também que nem sempre me vês, quando por rebeldia me desvio dos teus horizontes cada vez mais enfraquecidos.
Mas também é verdade que me ensinaste recentemente algo demasiado valioso e capaz de sossegar a minha alma revoltada, como me sossegavas quando passeava a casa ou tentava abrir a porta para sair por causa dos meus ataques de sonambulismo.
Contigo descobri que, em cada abraço ou toque nosso, todos, mas todos, os poros da minha pele e da tua respiram palavras, olhares, sentimentos. São tantas e tantas as vezes que consigo mesmo ouvir-te e lamento que eu ainda não seja capaz de comunicar dessa forma, para que tu me consigas ouvir.
Do que me dizes, quero que saibas que eu sei que me amas. Sei que estás triste, zangado, que te sentes inútil mesmo, por estares doente porque sentes que já não és capaz de me ajudar nos mais pequenos pormenores.
Mas quero também que saibas que eu estou bem ensinada para esses pequenos pormenores da vida, capaz de os enfrentar sem qualquer ajuda, porque tu assim me preparaste. Fui capaz de mudar a tomada do hall porque desde miúda te vi a ligar os fios e isso significa que sou capaz de mudar muita coisa, com as ligações correctas, para que não fique no escuro. Confia em mim...
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Breve história de amor
O amor não se explica; sente-se. O amor não se escolhe nem tem hora marcada: aparece, de rompante, mesmo quando não se espera (ou sobretudo quando menos se espera, o que é ligeiramente diferente). Os dois, olhos nos olhos, calados. Apenas um breve sorriso e as mãos entrelaçadas. O coração a bater em compasso acelerado e o calor a invadir cada um dos corpos. Quando distantes, um confessa que não consegue viver sem o outro. Palavras doces, que imediatamente dão azo a um desejo súbito e intenso. Quem os vê, assim, ao longe, não entende a dimensão do sentimento. Não faz mal - até porque tal como o amor não se explica (mas sente-se), ele também não merece ser explicado (mas vivido). Que importam as palavras, quando um gesto, um carinho ou um acenar podem dizer muito. Mas nem tudo é rosas. Pelo menos, até ao dia em que um deles agarrou o saca-rolhas...quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Manuel Alegre: a polémica Cavaco vs BPN explicada aos miúdos
Porque é que, de repente, Manuel Alegre deixou de insistir na polémica das acções da SLN compradas e vendidas por Cavaco Silva? Porque a SLN, agora denominada Galilei SGPS, passou a ser presidida por Fernando Lima Valadas Fernandes - que, por sua vez, integra a Comissão de Honra de Manuel Alegre. Convém frisar que a sede de campanha de Manuel Alegre (a mesma que foi utilizada nas presidenciais de 2006, frente ao El Corte Inglés) é propriedade da Galilei.
Uma pitada de política apenas para dar um toque de inteligência a este magnífico blog
Está decidido. No próximo dia 23 de Janeiro vou ficar em casa. É uma atitude tão legítima (e não censurável) como a dos que optam por ir votar. Acredito que, nas presidenciais de 2006, grande parte dos quase 40% dos abstencionistas não quis expressar o seu sentido de voto por várias razões: porque os partidos políticos não passam de grupos organizados a quem cabe alimentar interesses próprios; porque a classe política está descredibilizada, obsoleta e afastada dos problemas reais do país; ou, pura e simplesmente, porque não apeteceu. Estas (e outras) são também as minhas razões. Como é possível fechar os olhos a uma abstenção que atinge quase os 40%?? O sistema sempre ignorou a abstenção, dando-lhe a importância que muito bem lhe apetece. Em vez de tentar determinar os verdadeiros motivos que levam um recenseado a não votar, o sistema (que somos todos nós) legitimiza os resultados e passa à frente. Se podia votar nulo ou em branco? Poder até podia. Mas isso seria continuar a contribuir para um sistema caduco, ultrapassado e que não garante a igualdade de participação cívica e activa (não confudir sistema com democracia).quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Um dia, isto tem de acabar
Olho para todos os lados - e o que vejo? Amazonas encantadas que envergam peças de roupa justas e curtas, deixando a descoberto parte considerável da epiderme. Parece uma epidemia combinada. Quase todas elas entram assim escritório adentro, mexem, remexem, soltam suspiros, soletram constantemente pelo meu nome, puxam as saias e os vestidos para baixo, trocam olhares, deixam os ombros à mostra, desapertam os botões das blusas... Eu, que até sou contido, sou obrigado a levar com isto durante 8 horas por dia, 5 dias por semana. Eu, que até gosto de mulheres, resisto com todas as minhas forças. Mas há-de chegar o dia em que não conseguirei controlar os meus impulsos mais selvagens - e, aí sim, elas que façam de mim o que bem entenderem. Estou a imaginá-las todas juntas, sorridentes, com a sensação de uma profecia que se cumpre, despindo-me, abusando do meu corpo sensual e esbelto, soltando laivos de liberdade e contentamento... Não queria que fosse assim. Mas não vale a pena contrariar o destino. Estou preparado.terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Tomates, Mickael Carreira e vinho
Cada vez mais adoro este gajo. Porque escreve bem, tem piada, votou Santana Lopes (lá está: bom humor), chama os bois pelos nomes (usar a palavrinha testículos? Não, foda-se! «Tomates» do Carlos Castro - assim, sem meias palavras), gosta de um bom par de mamas, exige uma estátua do Luciano das Ratas no meio de Lisboa, conhece os anjos Rafael e Botticelli... E agora, como se não bastasse (agarrem-se bem, pois o homem está imparável), atravessa um momento a que chama «fase Mickael Carreira» (tradução: deixou crescer o cabelo). Por este andar, qualquer dia publica um livro - e daí talvez até já tenha publicado, até porque o estilo «Acatar» tem 'quelque chose' (primeira expressão em francês neste post) de «O Meu Pipi». É isso! Como fui capaz de esconder esta magnífica revelação de mim próprio? Deve ter sido por não me ter lembrado mais cedo. Afinal, «O Meu Pipi» só foi editado há uns 6 anos e, em calhando, o tipo do «Acatar» escreveu mesmo aquela merda. E vejam lá se ele não sabe que em Cantanhede há vinho rasca? Quando se fala com conhecimento de causa, é logo outra coisa.Diz-me com quem andas... (II)
«Os doentes psicóticos não costumam procurar ajuda por iniciativa própria e tornam-se mais perigosos por viverem numa realidade diferente (...). A psicose é entendida como uma profunda alteração da consciência do sujeito e criação de uma nova realidade. (...) Os sujeitos psicóticos são caracterizados pela perturbada tomada de consciência perante si mesmos e perante o mundo exterior». Psicoce parece ser a palavra-chave que resolve todo (ou quase todo) o mistério. Atente-se ao conteúdo dos últimos telefonemas de Renato Seabra, dirigidos à mãe e à irmã: «a comida está com sabor estranho»; «durmo mal»; «sinto-me numa prisão, estou farto».
Aos 20 anos, há quem julgue ter estofo e arrojo psicólogico para levar por diante uma vida fingida, a troco de presentes, mordomias e luxo. E, aos 65 anos, há ainda quem acredite num amor arrebatador e correspondido (não que ele não possa realmente existir, mas apenas porque, no caso em questão, o interesse puro e simples confrontava-se com o amor cego e desmedido).
A corda acabou por quebrar nos dois lados. Enquanto um continuava "à procura do sonho", o outro aguardava juras de amor. Desejos por concretizar e promessas não cumpridas. O fim de um contrato, onde as duas partes ficaram a perder.
Tenha ou não havido provocação, o que pode justificar um acto tão bárbaro e cruel? Para Renato, tirar a vida saberia a pouco. Havia que «livrá-lo dos demónios sexuais». Espancamento, tortura e morte. O criminoso assumiu (ninguém confessa por confessar), tem traços demarcados de insanidade (além da natureza do crime, é impressionante a maneira como, após a morte e já no átrio do hotel, diz à amiga de CC que «ele já nunca mais vai sair deste hotel», sai porta fora e vagueia pela ruas de Nova Iorque) e deu o maior desgosto que alguma vez poderia ter dado a uma mãe.
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NOTA: reitero a incógnita que paira no final do post anterior (ver abaixo)... Esta história tem mesmo qualquer coisa que não bate certo. Talvez seja o facto de não termos a verdadeira consciência no quão inconsciente o ser humano se pode tornar.
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