terça-feira, 28 de julho de 2009

O efémero do centro da vida

O centro da vida tem um estatuto especial e digno de ser valorizado: o de ser efémero. Gosto de pensar no centro da vida como a chama de uma vela. Se tudo obedecer à lei natural, a chama vai consumindo lentamente a cera e extingue-se com a naturalidade de um envelhecer em que se já respirou todo o ar, toda a vida. Outras vezes, a chama extingue-se por influência exterior, talvez por uma brisa que foi um pouco mais forte e apagou a luz. Seja em que condição for, quando se apaga não se reacende de forma espontânea.
Antes que a minha luz se apague, que a minha chama se extinga, quero fazer tudo por tudo para ter direito a sentir que respirei bem todo o ar enquanto podia. Digo-o porque sinto que não o estou a fazer como o desejava. Há muitas pontas soltas que ficam sem serem agarradas. No fundo, há muitas lágrimas de cera que caiem sem serem consumidas pela chama.
O que sinto resume-se a... não deixem de ter o colo que precisam; não deixem de dar o ombro a quem precisa; não deixem que as circunstâncias da vida vos toldem o andar, enquanto a vossa chama se vai consumindo. Um dia ela apaga-se e esse dia pode ser hoje.

Sem comentários: